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Words and images transmitting feelings.. that can be interpreted the way each person wants to.

"Vou levando assim
Que o acaso é amigo
Do meu coração
Quando fala comigo
Quando eu sei ouvir"
O velho e o moço -Los Hermanos

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"Don’t plant your bad days. They grow into weeks. The weeks grow into months. Before you know it, you got yourself a bad year. Take it from me - choke those little bad days. Choke ‘em down to nothing."
Tom Waits (via saintofsass)

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O que os olhos não diziam

O silêncio se estendia enquanto ela se perdia nos muitos pensamentos que não conseguia externar. Olhou para o lado novamente e encontrou aqueles olhos na penumbra a encará-la de volta. Desejou por um segundo que eles não estivessem nas sombras, mas logo se lembrou que nada adiantaria, ja que eles nada lhe diriam. Nunca diziam.
Suspirou sentindo o aperto no peito,  velho conhecido que sempre a acompanhava nesses momentos.  Sentiu as palavras a lhe enrolar a língua,  como sempre, e desistiu de tentar explicar.
Enquanto isso voltou ao devaneio que vinha lhe invadindo a mente de tempos em tempos. Viu-o em um salão, dançando com seu sorriso mais aberto no rosto, aquele que lhe chegava aos olhos e os aquecia e que, particularmente,  aquecia o coração dela.
Sambava daquele jeito malandro que ele possuia e que, por mais que odiasse admitir, ela adorava; convidando uma moça atrás da outra para dançar,  encantando-as com seu charme. Seu papel no devaneio era assistir à cena deliciada e não com ciúmes como seria de se espera, já que vez ou outra, em meio a seu espetáculo,  os olhos calorosos dele se encontravam com os dela, que lhe dizia em um sorriso secreto que era só seu.
O devaneio se desfez nesse cruzar de olhos, sonho se chocando com realidade ao encontrar olhos frios lhe encarando. Magou-se pelo contraste e pela incapacidade de reverter aquela situação. Suspirou uma vez mais e foi embora.
Deitou em sua cama com um misto de frustraçã, arrependimento e tristeza. Porque era tão difícil explicar o que o davaneio tão bem sintetizava? Porque custava explicar um sentimento tão simples?
Dormiu e sonhou com aquele sorriso caloroso do outro lado do salão.

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To a lousy Christmas and a crappy New Year!
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simples assim
"

O amor parece ter nascido aqui nesse leito sereno para depois morrer confuso, ali, no seu peito ausente. Talvez nada lhe falte e até sobre verdade sobre a mesa do jantar que não jantamos ontem. Talvez até sobre um recado no bolso do paletó, que diz que a paixão é um pequeno pecado doido para ser perdoado. Eu perdoei loucamente todos os seus pecados: um por um, dores por dores, sentimentos por sentimentos. Talvez ainda reste um resto de eu te amo enrolado neste guardanapo que roubei do balcão do meu bar predileto… Na gaiola invisível ainda ouço a liberdade se prender ao canto do curió – meu pássaro favorito! Curiosos são aqueles que querem a verdade, o que eu quero é ver, rever, berrar: reverberar!

Ainda me lembro do dia em que dissemos: seremos felizes até que a poesia nos repare. Primeiro, você riu, eu gargalhei e nós casamos. Depois, eu li, você ouviu e, nus, transamos. Por fim, eu lembrei, você se esqueceu e nós cansamos. Hoje, ainda que me falte você, nunca me faltará poesia. Um poema é o próprio abandono descrito em versos, diversas vezes. É o poeta em estado onírico implorando em rimas, alexandrinos, decassílabos decadentes: “Volta para mim, palavra bonita. Volta!”. Seu mundo sempre foi confuso, uma mistura moderna de Garcia Márquez com qualquer pintura de Velásquez. Você só parece amar quem pisoteia nos seus sonhos, quem tapa os seus sorrisos com lágrimas, quem lhe abandona sem roupa, sem mundo, sem beijo. Veja só: As Meninas na corte do rei parecem cortejar o seu coração. Corta a cena: seu azar foi ter vivido Cem anos de Solidão em uma única relação. Talvez por isso nada lhe emocione mais: nem o piano que toca algumas notas de jazz, nem o coração em guerra que, no peito, hasteia uma bandeira de paz. Talvez por isso nada lhe interesse mais: nem as cartas nem as caras de amor. Todas elas são ridículas, já dizia o poeta, todas elas são partículas de sentimento que não insiste mais… Contudo ainda me pego algumas vezes tateando uma sombra incompreensível que fala e que fuma e que finge estar viva. Só finge! Uma sombra precisa de luz para ser viva. Um amor precisa de vida para reluzir. Eu preciso de ambos para existir.

Agora podemos ir, dobrar uma esquina qualquer, reconhecer que a vida tem seus tropeços, seus problemas e seus soluços. E soluços nada mais são do que palavras que morreram engasgadas na vontade de dizer. O tempo dirá, o remorso roerá, o cigarro apagará e eu tenho a mais absoluta certeza que outra beleza menos confusa e mais Clara amanhecerá no meu mundo para me amar como eu não te amei.

E se você foi covarde, tudo bem… Todo mundo tem suas fraquezas. Nem todo mundo aguenta ser feliz. Eu também preciso de uma Trégua…

Fique com seus romances latinos;

Eu versifico com os meus poemas batidos:

O amor é bem mais do que isso… O amor é bem mais do que tudo isso.

"
o amor é bem mais do que isso; antônio (da página do Facebook, Eu Me Chamo Antônio)

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so much!
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"I no longer love her, that’s certain, but maybe I love her. Love is so short, forgetting is so long."
Pablo Neruda, Twenty Love Poems and a Song of Despair (via serialstranger)

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